segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Existe graça na política atual?

A história da igreja evangélica em Joinville, em relação à política, tem sido de uma atuação incipiente nos últimos pleitos. Candidatos oficialmente apoiados não se elegem, enquanto os não apoiados conseguem seu espaço, ocasionando assim constrangimentos. Não seria isto um prenúncio profético da própria igreja quanto a atuação política dela mesma?

Existem suspeitas para isto que poderiam ser timidamente apontadas como:
1. A corrupção praticada por boa parte de autoridades eleitas, assim a igreja estaria conivente com isto;
2. O desvio da função pastoral e eclesial durante as campanhas, com desvio de foco ministerial;
3. A grande força exercida pela igreja, desperdiçando sua energia durante as eleições de seu foco principal;
4. O desvio de foco de outras atividades e funções importantes da igreja, como ser instrumento profético, atendimento aos pobres e educação, que também são tarefas da igreja conforme Mt 28.20, Lc 4.18.

Qual deveria a postura da igreja? Duas, ao menos, que se fundem uma com a outra:
1. Instrumento de justiça de Deus na terra, fazendo propostas aos políticos em relação à saúde, educação, moradia, erradicação da pobreza e dificuldades de acesso a cidadania plena;
2. Ser voz profética desmascarando a omissão acima descrita e ainda apontando a corrupção reinante.

Com posturas diferentes desta, perde-se a autoridade de Deus que João Batista excerceu sobre Herodes, desmascarando seu pecado e como Jesus, chamando-o de raposa. No afã de conseguir autoridade política, perde-se a autoridade profética. Se não for assim acabamos concordando com os erros da atual forma de gerir recursos públicos (sabe-se que 30% das verbas públicas são desviadas no Brasil).

Estas são apenas algumas considerações que julguei pertinentes nesta hora em que se pergunta pelos porquês.

7 comentários:

Vitor Hugo da Silva disse...

Opa! Atualizado..

Claiton!

Extremamente pertinente este seu post. Sempre tive um visão de que deveríamos ter representantes cristãos na bancada, seja de vereadores, ou deputados. Porém, esta minha convicção - com certeza não só minha - vem decaindo a cada dia. Estou preferindo ser o mais ortodoxo possível. Ou seja, prefiro crer piamente que "toda autoridade é constituída por Deus", seja ela cristã ou não. Na verdade, da maneira que está indo -e a muito tempo - a nossa política, prefiro que sejam todos leigos ao cristianismo. Desta forma, a o sistema eclesiástico de nossas igrejas estará desvencilhado deste sistema, popularmente falando: "Não teríamos o rabo preso com partido algum". E como você bem frisou: "A igreja poderia servir de porta voz em um campo totalmente neutro do povo". Porém, enquanto estivermos coligados a política de forma ATIVA, não poderemos reivindicar absolutamente nada com total neutralidade.

E quanto a graça de Cristo na política? Existe sim! O fato de Deus outorgar autoridades aos homens, permitindo-lhes legislar sobre o povo como um todo, trata-se de graça. Deus é soberano! A sua graça comum alcança a todos.

Nino disse...

Olá Clayton, parabéns pelo texto, vou arriscar minha singela opinião sobre o assunto. Acredito que igreja deve posicionar-se como voz profética na luta justiça. Acredito também que deva atuar fazendo propostas aos políticos em relação sociais e de educação.
Mas acredito que para que isto aconteça estas propostas devam ser construída de forma participativa e não só por parte das autoridades eclesiásticas. Pois assim, evitaríamos o a tentação de lutarmos apenas por autoridade política. Alem de trazer mais legitimidade as propostas e bandeiras. Acredito também que nossa atuação deva ser orientada por um espírito público, despida de interesses caseiros (religiosos) e desfocados dos reais problemas e necessidades da população, sobretudo os empobrecidos.
Digo isso porque nossas bancadas são conhecidas por lutarem contra pecados morais exemplo (aborto, divorcio e casamento entre pessoas do mesmo sexo), mas, muito pouco ou quase nada conhecidas pela luta contra os pecados sociais ex (erradicação da pobreza acesso a políticas sociais e, sobretudo ao combate a corrupção).
Mas essa é apenas uma opinião pessoal...
Um abraço

Claiton Pommerening disse...

Olá Victor Hugo,
obrigado pela sua participação.
De fato somos quase "forçados" a ficar na neutralidade política, quem sabe este momento nossa neutralidade deveria se caracterizar por uma postura de denúncia e profetismo, até que novamente se tenha espaço para atuar de forma ativa na política. O que também é tarefa da igreja.
Claiton

Claiton Pommerening disse...

Olá Nino,
obrigado por sua participação.

Paradoxalmente nossos políticos tem levantado a banderia da moralidade apenas no discurso e têm se misturado à não moralidade na prática, isto tira ainda mais nossa autoridade na política e com certeza envergonha o evangelho.
Paradoxalmente também, quem têm levantado a bandeira dos pecados sociais tem sido exatamente os que nós evangélicos defenestramos.

Claiton

Vitor Hugo da Silva disse...

Claiton!

Sinceramente tenho dificuldades em entender o porquê a igreja deve estar envolvidade diretamente na política. Como você bem frisou: "O que também é tarefa da igreja".

Hoje é impossível você não estar totalmente ligado (quero dizer, ligados aos seus ideias) à algum partido e ser direcionado por suas propostas e interesses. O cristão automaticamente, estará ligado ao partido, portanto, dançará conforme a música do mesmo. O vereador, deputado, e senador evangélico, por muitas vezes ficará atado e este princípio. Por isto, impossibilitado de agir!

Mesmos os partidos denominados cristãos, possuem coligações. O que os força a não agirem individualmente, ou livre de qualquer interferência.

Sei lá....é uma dúvida minha.

Vitor Hugo

Claiton Pommerening disse...

Olá Victor Hugo,
Quando digo que temos de ter a coragem de João Batista, estou me referindo ao fato de que, provavelmente, esta hora no Brasil a igreja não deveria se envolver com política partidária, mas sim exercer denúncia profética com ousadia até que esta situação se reverta (quem sabe estou sendo idealista). Após isto sim, se envolver numa política "limpa", se é que ela existe.
Claiton

Mario disse...

Concordo com a fala do Nino quando ele diz que:

"...nossa atuação deve ser orientada por um espírito público, despida de interesses caseiros (religiosos) e desfocados dos reais problemas e necessidades da população, sobretudo os empobrecidos."

Alguém disse (creio que foi Martinho Lutero) que a Igreja não poderia ser "Senhora" do Governo e nem "serva", mas sim, sua consciência.

Não temos mais autoridade e respeito para sermos a consciência do Governo. A desculpa maquiavélica é que para realizarmos a Grande Missão precisamos usar todos os recursos e meios possíveis...