segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dependurar-se na cruz e depender da graça

A sociedade e que vivemos sugere de inúmeras formas que o caminho a seguir é ascendente. Chegue ao topo, esteja sob os holofotes, quebre o recorde - é isso que chama atenção e nos leva a primeira página do jornal, oferecendo as recompesas do dinheiro e da fama. A nossa cultura valoriza a "mobilidade ascendente": seguir um caminho seguro na carreira, manter o status quo, parecer interessante aos outros, ser bem-sucedido nos negócios, na política, nos esportes, no mundo acadêmico ou até mesmo na prática espiritual.
[Porém], quando estou na presença do Senhor com mãos vazias, como um servo sem serventia, conscientizo-me da minha dependência básica e da minha profunda necessidade de graça. A oração me ajuda a romper a pretensão de plenitude e "auto-suficiência". Convida-me a me ajoelhar, fechar os olhos e estender os braços. Em oração, ouço a voz de Deus me chamando para ir em frente. Encontro meu caminho para casa, descubro a minha vocação para cuidar e ser cuidado em comunidade.

NOUWEN, Henri. Direção espiritual. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 175,180.

3 comentários:

Thiago Rodrigo e Elinéias Fabrício disse...

Clayton,

Bom texto. Diante de Deus tudo cai, quando em oração reconhecemos nossa insuficiência. Olhamos para nós mesmos e nada vemos de bom. A bondade está nEle em nos aceitar apesar de todos nossos tropeços.

É experimentar a graça de verdade!!!

Abraços.

Elinéias F.M.

Mario disse...

Lendo o texto lembrei-me de Marcos8.36 "Pois, que aproveitaria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"

O contexto fala de um homem,um sofrimento necessário, submissão ao Pai e finalmente, uma morte necessária!

Depois desse percurso necessário, surge então uma vida que ninguém pode tirar, uma alma liberta, caminhando na contramão da sociedade descrita no texto, mas na direção certa Daquele que tem poder tanto sobre o corpo como sobre a alma (Mt. 10.28)

Me desvio desse caminho com uma facilidade assutadora!

Que Deus nos ilumine!

Claiton Ivan Pommerening disse...

É na insegurança do nada que me encontro nos braços mais seguros que existem: o Pai. Quando queremos nos agarrar a algo e exigir que isto nos satisfaça, criamos ídolos que substiem Deus e assim perdemos sua presença. Somente quando nos atiramos de novo nele é que de fato temos segurança.
Claiton