sexta-feira, 25 de abril de 2008

A graça do amor

Aprecio a forma como Brennan Manning fala do amor de Deus neste vídeo. Lança sobre a cruz toda maneira legalista de ser cristão e promove a maravilhosa graça.

http://www.youtube.com/watch?v=mxwkSqUarow&eurl=http://pavablog.blogspot.com/2008/03/maltrapilhos.html

14 comentários:

Vitor Hugo da Silva disse...

Clayton!

Tenho observado acerca da Graça de Deus a mesma situação que o Ariovaldo Ramos mencionou em seu video:" Deus Bonzinho, que aconchega, entende tudo, bonachão, tá tranquilo, não se importa". Para mim a Graça tem sido banalizada até certa forma, ou seja, graça é graça e pronto, seja o que for, quem for, da maneira que estiver, é graça.

Brennan Manning (em meu ponto de vista), abusa um pouco da Graça divina. De uma certa forma até chocante, não pelo fato de se chocar com a nossa visão acerca da graça, mas com o conceito da graça em si.

Esta é a verdade: Não existe ninguém melhor do que ninguém diante de Deus, todos estão destituídos da Graça Divina. Porém, não podemos fazer uso desta verdade espiritual para propagar uma graça sem mudanças, sem arrependimento, sem luta.

Um abraço!
Vitor Hugo

Vitor Hugo da Silva disse...

Clayton!

Quando menciono Graça sem mudanças, arrependimento, e luta. Estou me referindo a Graça da salvação, ou seja, a salvação depende de uma aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, uma invocação do Seu nome. Mas, isto é Graça de Deus? Sim! Porém, como arminiano que sou, creio no livre arbítrio e na aceitação ou não da liberdade do Espírito Santo em agir em nossas vidas.

Agora, a Graça como um meio para a salvação do homem (Jesus), providência divina diária, providência de um escape; atribuo somente a Deus. Pois, éramos imerecedores e irreconciliáveis com Deus. Porém, o Senhor pela sua infinita misericórdia e GRAÇA nos concedeu o Seu único Filho. Agora o aceitar Seu Filho como Salvador, irá depender do arrependimento, uma mudança do próprio homem.

Esta Graça da salvação pela cruz do calvário só terá ação salvífica se o indivíduo assim quiser. Como foi no episódio do Gólgota. Um deles reconheceu a Cristo, outro desprezou. Assim, a Graça salvífica alcançou aquele a quem confessou, se arrependeu!

Os ortodoxos podem até me apedrejar, mas simpatizei com uma colocação neo-ortodoxa que diz: A Palavra de Deus se torna Palavra de Deus LITERALMENTE, assim que o indivíduo ter um encontro com o Senhor Jesus. A Bíblia é a Palavra de Deus? Sim! Para nós que confessamos a Cristo como Salvador, porém, para outros é somente mais um livro. E este livro se torna a Palavra de Deus em nossas vidas, assim que a aceitarmos em nossos corações. Esta concepção está mais ligada à vivência que a teoria. Ok, nós sabemos que a Bíblia querendo ou não querendo é a Palavra de Deus, porém, em um contexto vivencial, esta Palavra somente se tornou a Palavra de Deus quando eu a aceitei. Jesus é Deus, mas Ele somente se tornará LITERALMENTE Deus EM MINHA VIDA, quando eu o aceitá-lo como Senhor de minha alma. O remédio está ali, porém, eu só saberei o efeito do remédio quando eu tomá-lo. Ele não deixou de ser remédio, ele sempre foi remédio, mas para a minha vida ele passou a ser remédio LITERALMENTE quando eu o experimentei.

Por hoje chega!

Vamos conversar mais a respeito!

Vitor Hugo.

Claiton Ivan Pommerening disse...

Vitor Hugo,
claro que a graça sempre deve trazer embutida nossa responsabilidade para com tão grande graça, mas a radicalidade do Manning confronta nossa maneira equivocada de entender a graça, ou seja, Deus nos dá sua graça mas eu tenho de fazer algo em troca. Se tenho de fazer algo em troca, logo, deixa de ser graça, pois graça só é graça se for de graça. Este pensamento, embora subjetivo, permeia boa parte da teologia pentecostal, e ainda mais a neo-pentecostal, e dita a forma de viver dos crentes. A moeda de troca desta graça geralmente é para alcançar o céu aqui e agora.
Outra característica da graça é que, graça só é graça se também estiver dependente só de Cristo (os pontos cardeais da teologia reformada).
Fora disto se torna o que Dietrich Bonhoeffer chamou de "graça barata", ou seja, aquela graça que torna a GRAÇA de CRISTO um vilependio a FÉ cristã.
Creio que sua preocupação cabe bem no que disse Paulo em Rm 6.1.
Claiton

Mario disse...

Confesso que tenho dificuldade em entender a Graça de Deus! Alguns poderiam me dizer: não precisa entender é só aceitar, mas como bem falou o Claiton, a maneira como entendemos a graça dita a nossa maneira de viver.

No "Evangelho maltrapilho" tem assuntos tratados com muita profundidade e ao mesmo tempo, alguns trechos são ambíguos, dando margem a interpretações como o Vitor falou: banalizando a Graça.

Mas fico pensando se não é minha formação conservadora que me induz à essa interpretação.

Fica uma dúvida, até que ponto sou imparcial nas minhas análises e colocações sendo que todos sofremos influência das pessoas que convivemos, da maneira que fomos criados e outros aspectos sociais e antropológicos?

Mario

Vitor Hugo da Silva disse...

Mário, como você disse em nossa apresentação: Se estamos falando muito de um determinado assunto, é porque o mesmo precisa ser mais estudo ou revisto.

Literalmente, nunca se falou tanto depois da reforma em graça do que agora. Realmente é de difícil compreensão, porém, gostei muito da definição de graça po Richard Foster, ele diz: "A graça de Deus é imerecida" (pg. 37); ou seja, é lago que nos é dado de presente. Falando sobre oração em um dos seus livros, Max Lucado diz: "Não adiante embrulharmos o presente que nunca demos". Esta reflexão também pode ser contextualizada com a graça de Deus. Não adianta dar nada em troca da graça de Deus, como diz o Clayton: "pois graça só é graça se for de graça".
Foster de forma simples explicou tudo. Não adianta fazermos nada para recebermos a graça de Deus, ela é imerecida. Porém, o mesmo foster descreveu, que se quisermos crescer na graça: "...mas, se em algum momento tivermos expectativas de crescer na graça, precisamos pagar o preço de um de ação conscientemente escolhido que envolva a vida individual e a comunitária".

Clayton, você tem indicado ótimos livros para a classe.

Vitor Hugo.

Rodrigo de Aquino disse...

O ladrão ao lado de Cristo no golgota, na minha opiniao é um lampejo de uma possível compreensao do q é a graça. acredito que nossa compreensao da graca é afetada pq vivemos numa sociedade meritocrática, recebo se mereço!

Na verdade entender a graça é até perigoso, calma, explico: graça é o favor de Deus em prol do desgraçado, favor imerecido e ponto final! o pr Claiton ja frisou o que Bonhoeffer disse acerca da graça barata, uma vida sem compromisso e envolvimento. mas se compreendo que a graça é bem maior que meu pecado corro esse risco, o de abusar da Graça, de barateá-la!
mas tao perigoso qto baratea-la é reduzi-la, e acreditar que posso fazer alguma coisa para complementar a graça (simbiose?), acreditar que a graça me da o "empurrão que faltava".

creio no seguinte: o cair sempre será do homem, e enquanto estivermos aqui sempre cairemos, e o levantar sempre será de Deus. viver em/com/sob a graça eh saber que o coração arrependido é o alvo do amor de Deus (o coracao duro tbm eh amado, mas nao se toca disso). Creio que o ser humano nunca fará uma ação em direção a Deus, sempre reaçÃo. as disciplinas espirituais sao formas de desenvolvermos nossa salvação, por ela em acao (Fp 2.12). as disciplinas nao me salvam, mas os salvos a praticam. viver na graça é saber da condição corrupta humana e jogar-se na superabundante graça. o assunto nao acaba mais...

Mario disse...

Rodrigo,

Boa sua colocação.

Realmente, o ladrão da cruz é um lampejo da graça e só isso! Até porque ele não tinha como descer da cruz e refazer sua trajetória. Contudo, fica evidente um reconhecimento da sua posição de merecedor da cruz e de Jesus, como não merecedor desse sofrimento (Lc. 23.41 e 42).

"Desenvolvendo a salvação" soa como fazendo algo pró salvação, mas como vc disse em seguida "por ela em ação" e mais a referência bíblica, entendi melhor seu argumento.

Até mais

Claiton Ivan Pommerening disse...

Nós temos dificuldades para viver em ambiguidades, mas Deus não. Quem sabe a graça seja uma dessas ambiguidades com as quais temos de conviver no Reino.
De um lado não podemos fazer nada para merecê-la, conservá-la ou usufruí-la; mas de outro envolve nossa responsabilidade.
Se o ladrão da cruz tivesse tido a oportunidade de descer dela, esta mesma graça que o salvou o impulsionaria a viver a radicalidade dela, ou seja, suas atitudes seriam diferentes a partir de então, numa cooperação entre a ação santificadora da graça, independente dele, e ao mesmo tempo sua (do ladrão) ação de viver disciplinadamente dependente da graça para a santificação.
Claiton

Vitor Hugo da Silva disse...

Creio que o ser humano pode sim tomar uma posição e se direcionar a Deus; como Tiago mesmo expressou: "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros"(Tg. 4:8), e, "Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará" (Tg. 4:10). Nestas duas passagens vemos a ação do homem para com Deus. Uma é de se achegar, outra, humilhar-se. Dá para entender o porque Martinho Lutero não gostava muito da proposta da carta de Tiago. Porém, até mesmo em nossas próprias ações vejo a graça de Deus. Pois, para o homem se achegar a Deus, é necessário que Deus se revele, vejo isto como graça. Para homem humilhar-se perante Deus, é necessário o homem se arrepender, e vejo no arrependimento a graça de Deus, pois é Deus também se revelando ao homem mediante o arrependimento.

O que vejo é o seguinte: Deus se revela ao homem, como citado acima, porém, depois desta revelação é uma opção do homem seguir ou não este caminho da graça salvífica. Mas, por outro lado, por mais que este homem não aceite, vejo a graça de Deus em todos os aspectos, mesmo que não esteja inserida no plano salvífico. Viver na verdade, é uma graça de Deus. Pois, não éramos merecedores.

Enfim......

Vitor Hugo

Rodrigo de Aquino disse...

Em relação a ambiguidade da graça, creio que quando se vive na dimensão da mesma, entramos no paradoxo do simultaneamente justo e pecador, justo em esperança pecador em realidade (Lutero). o teólogo Gottfried Brakemeier em seu comentário a carta de romanos afirma que santificação nao é um processo, onde vou melhorando a cada dia, sendo mais santo. para ele já somos santos, numa dimensão do já e ainda não, a santificação segundo ele é a justificação colocada em prática (desenvolver a salvação/Paulo). Creio dessa forma. Sou santo em Cristo e devo viver como tal, mas nem sempre, quase sempre nao consigo, pois a lei me mata, mas o evangelho me salva.

em relação a ideia do Vitor, os versículos citados, na minha opinião falam de reações humanas, pois o se achegar a Deus só é possível pq Deus permite isso em Cristo, e o processo de se humilhar é fruto do ES em mim...logo, o ser humano é sempre passivo de uma acao de Deus, nunca ativo.

Rm 9:
14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.
15 Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericordia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão.
16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.
e ainda o 18 Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.

o assunto continua....

Vitor Hugo da Silva disse...

Rodrigo!

Não querendo puxar a farinha para o seu lado. Porém, concordo em altura, comprimento, e profundidade. Como mencionei: "Porém, até mesmo em nossas próprias ações vejo a graça de Deus. Pois, para o homem se achegar a Deus, é necessário que Deus se revele, vejo isto como graça. Para homem humilhar-se perante Deus, é necessário o homem se arrepender, e vejo no arrependimento a graça de Deus, pois é Deus também se revelando ao homem mediante o arrependimento".

Não seria levemente calvinista esta nossa visão? (risos).

Repito...e o assunto continua!

Vitor Hugo

Rodrigo de Aquino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo de Aquino disse...

Levemente meu nobre...

na verdade esse é um assunto que permeou a Historia da Teologia gerando calorosas discussões! Creio que eu não posso escolher a Deus, mas Ele me escolhe (evangelho de Joao). eu não aceito a Cristo, ele me aceita. contudo em minhas pregações sempre farei o apelo, pois o ser humano precisa ser colocado numa situação onde ele decida. quando alguém se rende ao apelo entregando sua vida a Ele, no íntimo eu penso: esse é/foi o escolhido!

é como numa rua movimentada onde todos passam por uma porta que em cima tem uma placa: aqui está a salvação. aqueles que entram, impulsionados por diversos motivos, encontram outra placa no lado de dentro dizendo: Vc foi escolhido!

mas surgem perguntas como: pq Deus não escolhe todos? pq todos não entram na porta? Enfim, outorgar ao homem a liberdade de se decidir por Cristo é uma forma dizer que Deus é justo e está de braços abertos para todos, contudo, só abraça quem corre até ele. mas essa idéia choca-se com outros trechos da escritura, onde fica evidente que é Deus quem opera o querer e o realizar (Ef 2; Rm 9; Ev de Jo).

mas o assunto continua...

PS – eu removi anteriormente devido a grotescos erros de português

Edmar Wruck disse...

A Paz do Senhor Claiton !

Achei seu Blogg por acaso após "navegar" por quase uma dúzia de outros.

A graça é certamente o que de mais incompreendível há em Deus para o ser humano. Compreendemos a Sua santidade, justiça, poder..., mas crer que Deus nos ama apesar de conhecer todas as nossas falhas, como cita Brennam Manning, é praticamente impossível sem esta mesma graça.

Um Abração,
Edmar